The Last Beat of My Heart – Siouxie & The Banshees

Completamente apaixonada. Por cada gesto, por cada palavra, por casa olhar, por cada atitude. Sua boca me lembra que estou extasiada de amor. Mas só eu estou? De repente a memória me traz à lembrança um passado não muito distante. Um passado que o tempo cobriu em rosas e a corou com a vergonha. O passado machuca, ele tem espinhos. Espinhos estes que estragam o meu direito em sentir prazer. É como se eu tivesse sido devastada por uma guerra e, no presente, tenho medo de dizer… como ouso respirar aqui com você! Você que me acompanha de maneira majestosa e imperial, exalando sinais e sentimentos. Neste momento eu percebo como sou só. Ao seu lado percebo que minha vida é a solidão que veleja em uma onda de esquecimento. E eu te vejo partir. Mas eu não quero que se vá! Deixe suas mãos ao meu alcance, amor! Não vire as costas para mim. Não vá embora, eu jamais desejei que isso acontecesse… não quero me sentir destruída perto de você… não até o último pulsar do meu coração.

O dia está acabando e o pôr-do-sol esconde minhas palavras nas sombras. Você nunca entendeu o que realmente sinto por você. Aqui e agora, de um modo longo e barulhento, o meu coração chora. E no fundo dele, um eco dos meus pensamentos o aflige pedindo para que você não vá embora. Eu estou a um passo de você, deixe suas mãos ao meu alcance! Como eu poderia querer que você sumisse? Não… eu não quero me sentir destruída tão perto de você. Até o último e efêmero pulsar do meu coração, não quero me sentir assim.

(…)

Slow Dancing In A Burning Room – John Mayer

Um casal se encontra em um parque numa segunda à tarde. Estão sozinhos no local, salvo alguns pombos. Ele está inquieto, mas bem pensativo. Ela só sabe chorar. Ele tenta explicar exatamente qual a situação real dos dois. Parece ter mais consciência do que anda acontecendo ente eles, enquanto ela tenta se apegar a frases que nem sabe ao certo  porque estão sendo ditas.

Ele tenta fazê-la entender que não estão passando por um momento bobinho. E que também não estão  naquela famosa tempestade antes da calmaria que acontece no relacionamento deles há anos… é mais do que isso. Ele respira fundo, fazendo uma pausa, antes de falar que aquele momento é o mais profundo e talvez mais mortífero suspiro do amor dos dois. O amor que está tentando ser resolvido ali, em uma segunda à tarde no parque chegou ao ultimato.

Ele a abraça, explicando que pode até parecer que ele está querendo tirar o corpo fora, que não quer continuar o relacionamento tanto quanto ela, mas não é verdade. O fato é que ele pode senti-la em seus braços e que ninguém ia aparecer para salvá-la dali, daquele momento. E sim, eles tinham acionado tantos alarmes falsos durante os anos que agora não sabiam mais onde pedir socorro.

A verdade é que os dois estavam se afundando. É tão visível que dói. Ele enxergava isso e ela também podia notar, não tinha como não perceber que o relacionamento estava condenado. Ele olhou para ela e então disse: “Minha querida, estamos dançando em um quarto em chamas”.

Reagindo àquela frase, ela começou a falar que ele foi o único homem com quem ela sempre sonhou. Indignada, cada palavra saía da sua boca como se acusasse ele de não sentir nada. De imediato, ele retrucou falando que ela era a mulher que ele sempre tentou desenhar em sua vida… como ela ousava dizer que ela não queria dizer nada para ele?

E então ele abriu o coração: quando eles se conheceram ela foi como uma luz, ela era a única coisa que ele podia enxergar… ele queria tentar tirar a tristeza daquele momento e sabia que ela seria uma filha da mãe; ele tinha noção que ela era capaz. Era capaz de tentar bater nele, machucá-lo de verdade. Então, pediu que ela deixasse ele ali, deixasse ele se sentir miserável por tudo que estava falando agora e por estar mostrando o fim próximo. “Deixe-me, deixe-me”, ele gritava para ela, pois sabia que ela não conseguia entender o porque de tudo aquilo. “Saia daqui, vá chorar sobre isso em sua casa, por que você não faz isso? Estamos dançando lentamente num quarto em chamas, você não entende?”, ele dizia angustiado, a verdade cada vez mais latente em seu corpo, falar tudo aquilo em voz alta fez de toda a situação dolorosamente real.

E tudo que ele conseguia pensar era como eles já deviam saber de que aquele era o fim. Agora já era a hora de saber isso. “Você não acha que deveríamos ter aprendido alguma coisa com tudo que passamos? De alguma forma a gente já devia saber por agora tudo isso… é o fim”.

E sem mais nenhuma palavra, grito ou choro ela abaixou a cabeça e simplesmente saiu dali.

Goodbye Alice In Wonderland – Jewel

São 4 da manhã e eu estou em um avião indo embora de Los Angeles. Estou tentando pensar na minha vida… minha juventude dispersa por toda a estrada. Quartos de hotéis e notícias… eu realmente fiz da minha vida uma canção; somente uma guitarra como minha companheira, nada mais. Esperando desesperadamente pertencer a algum lugar.

A fama é toda preenchida com crianças mimadas, sabia? Essas crianças crescem bem rechonchudas de fantasia. Ah, a fantasia… eu acho que é por isso que estou partindo de LA. Eu anseio pela realidade…

É, estou dizendo adeus para toda essa fantasia. Alice está se despedindo do País das Maravilhas, pois existe uma diferença entre sonhar e fingir. Eu não encontrei o paraíso com tudo isso, não mesmo. Encontrei apenas o reflexo da minha mente solitária querendo o que a minha vida sente que está faltando.

Sinto vergonha de dizer que o resto é um cliché do rock , afinal eu alcancei o fundo do poço mas também fui até o topo sem nem saber que era você que estava simplesmente despedaçando meu coração. Eu achei que você teria que me amar, mas você não me amou.

Pois é, um coração pode alucinar se ele estiver totalmente faminto de amor. Ele pode até transformar os monstros em anjos pelo caminho, achando que está vendo certo. Tadinho. Você forjou meu amor como uma arma e voltou ele contra mim como uma faca, quebrando a força do meu coração. Mas foi assim que você abriu meus olhos.

Crescer não é a falta de sonhos e sim ser capaz de entender a diferença entre as pessoas que você pode se apegar e aquelas que você simplesmente deixa passar pela sua vida. Sonhar é bom porque nos traz coisas novas à vida, não é? Mas fingir é como o fim que perpetua a mentira fazendo com que você esqueça o que viu para passar a acreditar no que te falam.

A verdade é mais estranha que a ficção, eu sei que isso parece óbvio. Mas essa é a minha chance de fazer tudo certo… minha vida é bem melhor sem todas essas lindas mentiras, sabia? Adeus Alice no País das Maravilhas… eu achei o que estava faltando na minha vida.

Birds – Kate Nash

Ela estava na estação de trem, esperando, quando o trem das duas da tarde chegou. Ela o viu ali. Ele olhou para os lados e pulou a catraca do trem,  na direção dela. Tão rápido quanto pulou do trem, pegou na mão dela e disse para correr. “Você não tem idéia da saudade que eu estava de você, mas temos que correr. Eu não tenho dinheiro pra pagar a viagem”, olhou para trás e viu o inspetor do trem pronto para ir atrás dele e a puxou novamente.

“Ok”, ela respondeu, já correndo, com um pequeno sorriso.

Eles correram para fora da estação e pegaram o primeiro ônibus que apareceu. Da mochila ele tirou duas passagens do dia anterior e duas garrafas de cerveja. (Budweiser, claro, estamos em uma história americana.)

Os dois se sentaram no último banco, ele abriu a garrafa e passou para ela calmamente, tendo tempo de olhá-la melhor. “Você está bonita”. Bom, ela estava usando uma saia e ele realmente foi sincero ao dizer isso. Os olhos dela brilharam por notar que foi um elogio sincero. E para ela nada mais importava… tudo que ela queria era que ele a achasse bonita. E ele achou.

Ele continuou a encarando, ela sorriu vendo aquele olhar engraçado. Teve que perguntar o que ele estava pensando. “Não seja tímido, garoto!”, ela cutucou ele com o cotovelo, sorrindo descontraída. Ele sorriu de volta. “Certo, eu vou tentar…” ele respirou fundo, “Sabe todas as estrelas que existem no céu, as folhas em todas as àrvores? Todos os sons cadenciados que te fazem dançar e tudo mais? Todas as coisas que realmente importam no mundo, todas elas juntas teriam mais ou mesmo a mesma proporção do que eu sinto por você”.

Ela prendeu a respiração por um segundo. “Como?”

Ao ver o olhar confuso dela, ele tentou explicar de novo. “Certo… pássaros podem voar muito alto ou então cagar na sua cabeça. E eles também podem quase voar em você o que faz com que sinta muito medo. Mas quando você olha para eles e vê como eles são tão lindos… é isso que eu sinto quando eu olho para você”.

Ela começou a entender, mas não conseguiu falar nada além de “Como?”.

Ele tirou a cerveja da mão dela, substituindo por sua própria mão. “Estou falando de você”.

Ela tentou colocar os pensamentos em ordem. “Do que você está falando?”

“De você”, respondeu, pacientemente.

Ela então sorriu, conseguindo sair do estado de transe e confusão. “Obrigada… eu também gosto de você”.

O rosto dele se ilumina. “Legal…”

Os dois olham para frente, sorrindo, de mãos dadas, felizes.

Last Kiss – Pearl Jam

Aquele sábado amanhecera ensolarado. Acordei de bom humor, ouso dizer que estava apaixonado. Exatamente 8 meses de namoro. Depois de anos e mais anos tentando demonstrar para ela o quanto era importante para a minha vida e como eu me sentia, 8 meses era muito pouco, mas maravilhosamente recompensadores. Pedi o carro emprestado para o meu pai, já tinha planejado toda a nossa tarde. Piquenique, cinema, visitar aquela exposição de fotografias que ela estava louca para ver. Ia ser uma tarde gostosa e terminaria com uma noite simples, mas digna de cena de filme.

Fui buscá-la em casa. Deus, como ela estava linda! Com um vestido simples mas que iluminava todo o seu corpo… e com o rosto radiante. Pouca maquiagem, do jeito que eu gostava. Ela sorriu para mim e me beijou carinhosamente ao entrar no carro. Estava com uma carinha de quem tinha alguma surpresa também. Meu coração quase saltou pela boca. Sai com o carro dali e fomos conversando enquanto eu dirigia. Pegamos a estrada, como sempre fazíamos para ir ao parque. Tudo estava tão tranquilo… até eu perceber um carro na nossa frente. Do inicio continuei dirigindo na velocidade normal, ele estava distante. Só que ele não se mexeu, porque em segundos nosso carro estava bem atrás do dele. Carro quebrado!!! Tentei desviar, no susto, ela gritou. Aquele grito ainda ecoa no meu pensamento. A freada, o som dos vidros quebrando… e o grito dela.

Eu não sei por quanto tempo fiquei desmaiado, talvez alguns minutos. Acordei com a chuva caindo no rosto. Chuva com sol, ia aparecer um arco-íris em algum lugar. Mas nem deu tempo de pensar nisso, tinha gente por toda a minha volta. De repente eu senti uma vontade enorme de chorar. Olhei para o meu lado e, mais distante estava ela. O corpo dela desmaiado no chão. Abri passage e rastejei até ela, colocando sua cabeça em meu colo. Não lembro o que balbuciei para minha amada, só sei que ela me olhou, estava tão tranquila… “Me abrace, querido, só um pouquinho”.

Eu abracei para bem perto de mim e a beijei – nosso último beijo. Naquele momento eu tive certeza que tinha achado o amor. E eu sabia que tinha acabado de perdê-lo também. Eu tentei, abracei ela bem perto e apertadinho de mim, mas ela se foi… meu amor e minha vida se foram aquela tarde.

Onde será que meu amor está? Deus tirou ela de mim, ela foi para o céu não foi? Certamente que foi. Agora eu só preciso me comportar… ser uma boa pessoa para poder reecontrá-la quando eu partir deste mundo. É só o que me resta.

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