Slow Dancing In A Burning Room – John Mayer

Julho 29, 2009 por Molly's Chambers

Um casal se encontra sozinho em um parque numa segunda à tarde. Ele está inquieto apesar de bem pensativo. Ela só sabe chorar. Ele está tentando explicar exatamente qual a situação dos dois para ela. Parece ter mais consciência, enquanto ela tenta se apegar a coisas que ela diz e nem sabe ao certo o porque.

Ele calmamente tenta fazê-la entender que aquilo não é um momento bobinho que estão passando. E também não é aquela famosa tempestade antes da calmaria no relacionamento que os dois tem há anos… ele respira para fazer uma pausa antes de falar que aquele é o mais profundo e talvez mortífero suspiro do amor dos dois. Aquele amor que está tentando ser resolvido agora, nesta segunda à tarde em um parque.

Ele a abraça, explicando que pode não parecer que ele não quer se prender tanto aquilo quanto ela falando que ele pode senti-la em seus braços e que ninguém ia aparecer para salvá-la dali, daquele momento. Sim, eles tinham acionado tantos alarmes falsos que agora não sabiam mais onde pedir socorro.

A verdade visível e dolorosa é que os dois estavam se afundando. Ele via isso e ela também podia notar, não tinha como não perceber que eles estavam condenados. Ele olhou para ela e então disse: “Minha querida, estamos dançando em um quarto em chamas”.

Em reação aquelas palavras, ela começou a falar como ele era o único homem com quem ela sempre sonhou, indignada, como se acusasse ele de não sentir nada. Ele imediatamente retrucou falando em como ela era aquela mulher que ele sempre tentou desenhar em sua vida… como ela ousava dizer que aquilo não queria dizer nada para ele? E então ele abriu o coração dizendo que quando eles se conheceram ela era como uma luz para ele, a única coisa que ele podia enxergar… ele ia tentar tirar a maior parte da tristeza dali e sabia que ela ia ser uma filha da puta, tinha noção de que ela era capaz disso. Era capaz de tentar bater nele, machucá-lo de verdade. Ele disse apenas para que ela deixasse ele ali, sentindo-se miserável por tudo que estava falando agora e por estar mostrando o fim próximo. “Deixe-me, deixe-me”, ele gritava para ela, pois sabia que ela não conseguia entender o porque de tudo aquilo. “Saia daqui, vá chorar sobre isso em sua casa, por que você não faz isso? Estamos dançando lentamente num quarto em chamas, você não entende?”, ele dizia angustiado, a verdade cada vez mais latente em seu corpo, falar tudo aquilo em voz alta fez de toda a situação dolorosamente real.

E tudo que ele conseguia pensar era como eles já deviam saber de que aquele era o fim. Agora já era a hora de saber isso. “Você não acha que deveríamos ter aprendido alguma coisa com tudo que passamos? De alguma forma a gente já devia saber por agora tudo isso… é o fim”.

E sem mais nenhuma palavra, grito ou choro ela abaixou a cabeça e simplesmente saiu dali.

Goodbye Alice In Wonderland – Jewel

Julho 29, 2009 por Molly's Chambers

São 4 da manhã e eu estou em um avião indo embora de Los Angeles. Estou tentando pensar na minha vida… minha juventude dispersa por toda a estrada. Quartos de hotéis e notícias… eu realmente fiz da minha vida uma canção; somente uma guitarra como minha companheira, nada mais. Esperando desesperadamente pertencer a algum lugar.

A fama é toda preenchida com crianças mimadas, sabia? Essas crianças crescem bem rechonchudas de fantasia. Ah, a fantasia… eu acho que é por isso que estou partindo de LA. Eu anseio pela realidade…

É, estou dizendo adeus para toda essa fantasia. Alice está se despedindo do País das Maravilhas, pois existe uma diferença entre sonhar e fingir. Eu não encontrei o paraíso com tudo isso, não mesmo. Encontrei apenas o reflexo da minha mente solitária querendo o que a minha vida sente que está faltando.

Sinto vergonha de dizer que o resto é um cliché do rock , afinal eu alcancei o fundo do poço mas também fui até o topo sem nem saber que era você que estava simplesmente despedaçando meu coração. Eu achei que você teria que me amar, mas você não me amou.

Pois é, um coração pode alucinar se ele estiver totalmente faminto de amor. Ele pode até transformar os monstros em anjos pelo caminho, achando que está vendo certo. Tadinho. Você forjou meu amor como uma arma e voltou ele contra mim como uma faca, quebrando a força do meu coração. Mas foi assim que você abriu meus olhos.

Crescer não é a falta de sonhos e sim ser capaz de entender a diferença entre as pessoas que você pode se apegar e aquelas que você simplesmente deixa passar pela sua vida. Sonhar é bom porque nos traz coisas novas à vida, não é? Mas fingir é como o fim que perpetua a mentira fazendo com que você esqueça o que viu para passar a acreditar no que te falam.

A verdade é mais estranha que a ficção, eu sei que isso parece óbvio. Mas essa é a minha chance de fazer tudo certo… minha vida é bem melhor sem todas essas lindas mentiras, sabia? Adeus Alice no País das Maravilhas… eu achei o que estava faltando na minha vida.

Birds – Kate Nash

Julho 29, 2009 por Molly's Chambers

Ela estava esperando na estação de trem. Quando o trem das duas da tarde chegou, ela o viu ali. Ele olhou para os lados e pulou a catraca do trem, em direção dela. Tão rápido quanto pulou do trem, ele pegou na mão dela e disse para correr. “Você não tem idéia da saudade que eu estava de você, mas é temos que correr. Eu não tenho dinheiro pra pagar a viagem”, olhou para o inspetor do trem pronto para ir atrás dele e a puxou de novo.

“Ok”, ela respondeu já correndo, um pequeno sorriso.

Eles correram para fora da estação e pegaram o primeiro ônibus que apareceu. Da mochila ele tirou duas passagens do dia anterior e duas garrafas de cerveja. Budweiser, claro, estamos em uma história americana.

Os dois se sentaram no ultimo banco, ele abriu a garrafa e passou para ela, tendo tempo de olhá-la melhor. “Você está bonita”. Bom, ela estava usando uma saia e ele realmente foi sincero ao dizer isso. Os olhos dela brilhando gritavam a sinceridade que ela sentiu também. Para ela nada mais importava… tudo que ela queria era que ele a achasse bonito. E ele achou.

Ele continuou a encarando, ela sorriu vendo aquele olhar engraçado. Teve que perguntar o que ele estava pensando. “Não seja tímido, garoto!”, cutucou ele com o cotovelo, sorrindo. Ele sorriu de volta. “Certo, eu vou tentar…” ele respirou fundo, “Sabe todas as estrelas que existem no céu, as folhas em todas as àrvores? Todos os sons quebrados que te fazem dançar e tudo mais? Todas as coisas que realmente importam no mundo, todas elas são o tanto que eu gosto de você”.

Ela parou de respirar por um segundo. “Como?”

Ao ver o olhar dela confuso, ele tentou explicar de novo. “Certo… pássaros podem voar muito alto ou então cagar na sua cabeça. E eles também podem quase voar em você o que faz com que sinta muito medo. Mas quando você olha para eles e vê como eles são tão lindos… é isso que eu sinto por você.

Ela começou a entender, mas não conseguiu falar nada além de “Como?”.

Ele tirou a cerveja da mão dela, substituindo por sua própria mão. “Estou falando de você”.

Ela tentou colocar os pensamentos em ordem. “Do que você está falando?”

“De você”.

Ela sorri e finalmente consegue sair do estado de transe e confusão. “Obrigada… eu também gusto de você”.

O rosto dele se ilumina. “Legal…”

Os dois olham para frente, sorrindo, de mãos dadas, felizes.

Last Kiss – Pearl Jam

Junho 27, 2009 por Molly's Chambers

Aquele sábado amanhecera ensolarado. Acordei de bom humor, ouso dizer que estava apaixonado. Exatamente 8 meses de namoro. Depois de anos e mais anos tentando demonstrar para ela o quanto era importante para a minha vida e como eu me sentia, 8 meses era muito pouco, mas maravilhosamente recompensadores. Pedi o carro emprestado para o meu pai, já tinha planejado toda a nossa tarde. Piquenique, cinema, visitar aquela exposição de fotografias que ela estava louca para ver. Ia ser uma tarde gostosa e terminaria com uma noite simples, mas digna de cena de filme.

Fui buscá-la em casa. Deus, como ela estava linda! Com um vestido simples mas que iluminava todo o seu corpo… e com o rosto radiante. Pouca maquiagem, do jeito que eu gostava. Ela sorriu para mim e me beijou carinhosamente ao entrar no carro. Estava com uma carinha de quem tinha alguma surpresa também. Meu coração quase saltou pela boca. Sai com o carro dali e fomos conversando enquanto eu dirigia. Pegamos a estrada, como sempre fazíamos para ir ao parque. Tudo estava tão tranquilo… até eu perceber um carro na nossa frente. Do inicio continuei dirigindo na velocidade normal, ele estava distante. Só que ele não se mexeu, porque em segundos nosso carro estava bem atrás do dele. Carro quebrado!!! Tentei desviar, no susto, ela gritou. Aquele grito ainda ecoa no meu pensamento. A freada, o som dos vidros quebrando… e o grito dela.

Eu não sei por quanto tempo fiquei desmaiado, talvez alguns minutos. Acordei com a chuva caindo no rosto. Chuva com sol, ia aparecer um arco-íris em algum lugar. Mas nem deu tempo de pensar nisso, tinha gente por toda a minha volta. De repente eu senti uma vontade enorme de chorar. Olhei para o meu lado e, mais distante estava ela. O corpo dela desmaiado no chão. Abri passage e rastejei até ela, colocando sua cabeça em meu colo. Não lembro o que balbuciei para minha amada, só sei que ela me olhou, estava tão tranquila… “Me abrace, querido, só um pouquinho”.

Eu abracei para bem perto de mim e a beijei – nosso último beijo. Naquele momento eu tive certeza que tinha achado o amor. E eu sabia que tinha acabado de perdê-lo também. Eu tentei, abracei ela bem perto e apertadinho de mim, mas ela se foi… meu amor e minha vida se foram aquela tarde.

Onde será que meu amor está? Deus tirou ela de mim, ela foi para o céu não foi? Certamente que foi. Agora eu só preciso me comportar… ser uma boa pessoa para poder reecontrá-la quando eu partir deste mundo. É só o que me resta.

How To Save A Life – The Fray

Junho 26, 2009 por Molly's Chambers

As coisas não estavam legais e não eram de hoje. E lá estávamos nós dois, frente a frente, quietos. Tomei coragem e disse que precisávamos conversar. Isso o despertou do devaneio que estava tendo e, sem explicações, ele começou a andar tentando se distanciar, mas eu o impedi. Era apenas uma conversa, sente-se, eu disse.

O sorriso educado dele demonstrou a falsidade dos nossos atos… claro que não era apenas uma conversa. Quem dera fosse tão simples que apenas uma conversa. Eu o encarei com a mesma educação. Ambos sabiam o que se passava por trás de nossas feições, mas para quem passasse e nos visse daquele jeito, nunca diriam que havia algo a mais do que sorrisos e calmaria.

Aquele silêncio estava me consumindo e eu não conseguia começar a falar. A janela a minha direita me pareceu incrivelmente atraente, tive que desviar o olhar para ela. E aquilo bastou. Ele se levantou, caminhando em direção oposta da que eu olhava. E eu não consegui impedir, ele sabia. Eu continuei olhando para a janela, sentindo medo e um pouco de culpa. Por que mesmo eu tinha vim até aqui?

Ele foi embora e eu deixei sem ao menos dizer uma palavra, sem falar o que eu realmente queria. Onde eu errei? Perdi um amigo no meio de tanta amargura, como pude deixar isso acontecer? Eu poderia ter ficado com ele a noite inteira se ao menos soubesse como salvar uma vida. Poderia, não poderia?

Eu teria que fazer ele saber que eu tenho maior consciência das coisas entre nós, porque eu realmente tenho essa consciência. A parte mais racional, essa sou eu. E então eu teria que dar um jeito de não deixar ele se fechar comigo como um modo de defesa. Mas teria que fazer isso sem me culpar e inocentá-lo, os dois cometeram grandes erros. Já sei!! Eu vou listar mentalmente todas as coisas erradas que aconteceram, aquelas que eu avisei que iam dar errado mesmo e… e… rezar pro cabeça dura me ouvir. Só rezando mesmo.

Certamente ele vai aumentar o tom de voz comigo, odeia ser contrariado e que as pessoas tenham razão. Quantas burradas ele não fez por teimosia! O jeito vai ser baixar o meu tom de voz, não vou querer briga. Não mais, cansei. Será a última chace, ou ele tentar entrar nessa comigo ou esquecer de todo mundo… esquecer de nós dois, nossa amizade.

É, ele vai fazer uma dessas duas coisas: admitir que errou ou então… falar que não é mais o mesmo e seguir sua vida. E ele não é mais o mesmo em muitas coisas. E eu vou continuar sozinha nesse corredor, do mesmo jeito que fiquei agora. Por que mesmo eu vim até aqui?

(para a Glei *-*)