Um casal se encontra sozinho em um parque numa segunda à tarde. Ele está inquieto apesar de bem pensativo. Ela só sabe chorar. Ele está tentando explicar exatamente qual a situação dos dois para ela. Parece ter mais consciência, enquanto ela tenta se apegar a coisas que ela diz e nem sabe ao certo o porque.
Ele calmamente tenta fazê-la entender que aquilo não é um momento bobinho que estão passando. E também não é aquela famosa tempestade antes da calmaria no relacionamento que os dois tem há anos… ele respira para fazer uma pausa antes de falar que aquele é o mais profundo e talvez mortífero suspiro do amor dos dois. Aquele amor que está tentando ser resolvido agora, nesta segunda à tarde em um parque.
Ele a abraça, explicando que pode não parecer que ele não quer se prender tanto aquilo quanto ela falando que ele pode senti-la em seus braços e que ninguém ia aparecer para salvá-la dali, daquele momento. Sim, eles tinham acionado tantos alarmes falsos que agora não sabiam mais onde pedir socorro.
A verdade visível e dolorosa é que os dois estavam se afundando. Ele via isso e ela também podia notar, não tinha como não perceber que eles estavam condenados. Ele olhou para ela e então disse: “Minha querida, estamos dançando em um quarto em chamas”.
Em reação aquelas palavras, ela começou a falar como ele era o único homem com quem ela sempre sonhou, indignada, como se acusasse ele de não sentir nada. Ele imediatamente retrucou falando em como ela era aquela mulher que ele sempre tentou desenhar em sua vida… como ela ousava dizer que aquilo não queria dizer nada para ele? E então ele abriu o coração dizendo que quando eles se conheceram ela era como uma luz para ele, a única coisa que ele podia enxergar… ele ia tentar tirar a maior parte da tristeza dali e sabia que ela ia ser uma filha da puta, tinha noção de que ela era capaz disso. Era capaz de tentar bater nele, machucá-lo de verdade. Ele disse apenas para que ela deixasse ele ali, sentindo-se miserável por tudo que estava falando agora e por estar mostrando o fim próximo. “Deixe-me, deixe-me”, ele gritava para ela, pois sabia que ela não conseguia entender o porque de tudo aquilo. “Saia daqui, vá chorar sobre isso em sua casa, por que você não faz isso? Estamos dançando lentamente num quarto em chamas, você não entende?”, ele dizia angustiado, a verdade cada vez mais latente em seu corpo, falar tudo aquilo em voz alta fez de toda a situação dolorosamente real.
E tudo que ele conseguia pensar era como eles já deviam saber de que aquele era o fim. Agora já era a hora de saber isso. “Você não acha que deveríamos ter aprendido alguma coisa com tudo que passamos? De alguma forma a gente já devia saber por agora tudo isso… é o fim”.
E sem mais nenhuma palavra, grito ou choro ela abaixou a cabeça e simplesmente saiu dali.